O melhor das viagens é a memória que guardamos delas.
Pode ser uma imagem, um ambiente, uma pessoa, um cheiro ou
até mesmo um som. Quantas vezes ao escutarmos uma música que disfrutámos num
momento especial de certa viagem acende a memória de forma instantânea,
transportando-nos para esse tempo vivido e trazendo aos sentidos toda a
intensidade desse momento passado.
Também há viagens que acontecem dentro da nossa cabeça. Uma
viagem imaginada pode ser muito poderosa. Não tem tempo nem espaço. Existe noutra
dimensão. A dimensão do sonho. Se o sonho comanda a vida, as viagens sonhadas
podem levar-nos onde quisermos quando quisermos. Livre da materialidade, sem
limites.
Hoje escolho viajar de olhos fechados. Amanhã, quem sabe,
talvez partilhe por aqui essa demanda que ainda não sei onde começa ou acaba.
Vou ainda escolher se vai ser épica ou apenas tranquila. Venturosa ou apenas
morna, como uma maré de Verão no mediterrâneo com o horizonte lá ao fundo a
perder de vista.