terça-feira, 30 de agosto de 2022

Então e eu?

Entrei no Banco. Há muitos anos que não ia a um Banco. O digital trouxe-nos a dádiva de reduzir ao inevitável as nossas deslocações a entidades várias libertando-nos do desconforto da maçada das filas e da má disposição de quem nelas fica demasiado tempo, incluindo nós próprios.

O Banco foi remodelado há algum tempo e transformou-se numa espécie de frigorifico hospitalar - Possivelmente para evitar que as pessoas permaneçam muito tempo por lá. Falácia. Com cada vez menos funcionários, o tempo de espera pode rondar uma hora ou mais. 
Estava eu perdida no meio das minhas observações, eis que, de repente, vibra no ar a voz de uma senhora que dirigindo-se à empregada de atendimento na caixa, rebenta assim:
- Oh minha Senhora, sabe que está ali um papel na entrada a dizer que os idosos e deficientes têm prioridade? É que eu tenho oitenta e cinco anos, e sou deficiente! Estou aqui à espera há mais de uma hora!
- Então minha Senhora – responde a empregada estupefacta – deveria ter-se dirigido aqui ao balcão, porque nós estamos concentradas no trabalho e não a observar quem está em fila de espera….
Pensei: Ah! Que saudades tinha de uma boa troca de hostilidades em espaços de atendimento ao público! – Isto depois de eu própria ter saído e voltado para colocar mais uma moeda no parquímetro, porque incautamente, tive a ingenuidade de achar que o assunto a tratar era coisa rápida.

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